O ato de “eu acredito”

O simples ato de pedir desculpas não nos torna superiores, nem melhores ou mais felizes. Se redimir virou algo tão banal que o fazemos sem verdadeiramente nos sentirmos errados. Assumir estar errado deveria ser assumir uma verdade engolida pelo orgulho, mas virou um modo de ceder ou cortar disputas e desentendimentos.
"Atos falam mais que palavras". Uma vez li esta frase não lembro onde, mas me atingiu de modo que se tatuou em minhas memorias.
"Desculpa" é uma palavra e nada mais. Talvez seja mais. Talvez seja um modo de parar conflitos em que já esgotamos nossas forças ou paciência. Nada além disso.
Palavras não redimem atos. Porém atos redimem atos.
"Desculpar" alguém não muda os fatos.
O modo mais verdadeiro de se redimir é mostrar que se arrependeu, mostrar que jamais se repetirá e fazer o impossível para mudar caso seja necessário.

Aceitar as desculpas não é “okay, está desculpado”. Aceitar desculpas é um ato de confiança. Acreditar na veracidade de um olhar e na confusão de palavras encabuladas de uma pessoa orgulhosa que não tem costume de “baixar a crista”.

Acredito em um mundo com menos “ta desculpado” e mais “eu acredito em você e sei que é capaz”.

Camila Bandeira

O Pesadelo Que é Amar

As vezes você ama tanto uma pessoa, que ela acaba se tornando o seu pior pesadelo.
Ou talvez o seu maior pesadelo que acabe se tornando essa pessoa.
O “amor” aqui desenhado se refere a qualquer tipo de amor. Todos dão medo. Todos nos deixam fracos. Todos nos matam no final. Seja morrer de amor ou morrer de dor. Amor é amor. Amor é dor. Amor é medo. Amor é quente. Amor é frio. Amor é um sonho. Amor é um pesadelo.
Mas nem sempre o mal faz mal.

Camila Bandeira

A água

Em momentos ruins, não há nada melhor do que ficar em baixo do chuveiro, abrir o registro e deixar a água cair sobre a cabeça.
Enquanto a espuma limpa o corpo, a água limpa a alma.
Mergulho em paz e calmaria enquanto a cabeça é lavada pela água que escorre do chuveiro.
Com a neblina cobrindo o espelho me escondo de sentimentos ruins e relembro belezas da vida que se escondem na névoa escura do dia a dia.
A água enquanto escorre pelo meu corpo carrega tudo de ruim e leva pelo ralo cansado de receber águas carregadas.
Alma lavada. Mente limpa. Cabeça lavada. 
Corpo pronto para mais um dia.
Graças as águas cristalinas que limpam e purificam o corpo e a alma.

Camila Bandeira

Desabafo

A alguns meses escrevi um texto sobre finais. Faz pouco tempo levando em conta como é difícil dar um fim verdadeiro para uma história, mas hoje vejo que não existe fim para a existência de finais.

Quando vivemos algo intenso, vemos que o tempo passa mais devagar, mas estranhamente rápido. Calma que explico.

Próximo dia 22 eu estaria comemorando meio ano de namoro. Estaria… se não tivesse terminado ontem.

Vivemos algo intenso. Um relacionamento em que no inicio já havia uma forte paixão e em dois ou três meses já havia amor. Amor… eu ainda acho que era, não quero acreditar que era mentira. Acho que existiu amor e ainda existe. Mas confesso que não queria que fosse amor, não queria que tivesse sido verdadeiro. Seria mais fácil. Menos doloroso.

Mesmo com menos de 6 meses de namoro, nós agíamos como casais que namoram a anos, como se estivéssemos juntos a muitos anos. Em menos de 6 meses nós vivemos uma vida inteira. Com uma semana apresentamos as famílias, com três semanas a primeira discussão séria (um dia depois de ter recebido um anel de compromisso. Bijuteria, mas pra mim não tinha preço de tão valiosa), com dois meses a primeira discussão feia no meio da rua em que eu saí batendo porta e ele gritando atrás de mim (risos). Com quatro meses vieram os planos para o futuro. Com 5 meses… começaram os problemas. Depois de meses discutindo sempre, começaram as discussões mais frequentes. No começo de julho percebi q haviam problemas demais e tentei solucionar dando um tempo, pois os dois estavam estressados com coisas de casa e do trabalho e estávamos descontando um no outro. Quando voltamos a nos falar, percebemos que o “tempo” surtiu efeito somente nos primeiros dias. Duas semanas depois estava tudo pior que antes. Desisti e pedi para terminar. Três dias de choradeira e discussões horríveis se passaram e ele pediu pra voltar. Fiquei feliz por ele não desistir de nós. Conversamos, colocamos os pingos nos Is e voltamos como era no começo. Carinho, amor e confiança antes de tudo. Duas semanas exata após o primeiro término, veio o segundo. E agora, infelizmente não existe mais concerto.

Mesmo com toda essa intensidade, não consigo acreditar que fazem SOMENTE 6 meses do primeiro beijo, do primeiro contato, das primeiras declarações, do primeiro “eu te amo”… do pedido de namoro.

Tanto em tão pouco. Pareceram anos, mas quando coloco em datas, vejo que foi muito pouco tempo.

Passei os últimos meses tentando concertar um relacionamento meio maluco. Tentando segurar um relacionamento, minha vide pessoal, minha vida em família, aulas, trabalho… e ainda tinha que manter ele de pé. Tinha que dar força pra ele e entender que ele tinha problemas demais pra se preocupar em resolver nosso namoro.

Infelizmente sessaram minhas ideias de soluções. Me sinto totalmente culpada por não ter sido capaz de lavar um relacionamento nas costas. Eu sei que ele deveria ter tentado e que era errado eu tentar segurar as pontas sozinha, mas não queria exigir isso dele.

Sinto como se eu fosse incapaz. Me sinto fraca e impotente.

Desejo de todo o meu coração de que esse não seja um fim definitivo, mas não creio que exista uma solução.

Agora só me resta baixar a cabeça e aceitar o que o destino me impôs.